Conexão e vínculo nas relações de ensino

anderson_2No contexto contemporâneo muito se fala sobre a necessidade em estar conectado, ou seja, ter algo mediando suas relações com as coisas que são do mundo, em oposição, ao vínculo que implica na introjeção pela experiência destas mesmas coisas.

Ambos os termos são tratados por sinônimos pelos dicionários, mas especulemos um pouco mais sobre eles afim de criarmos um entendimento um pouco mais amplo dos conceitos.

A relação, por exemplo, entre pais e filhos são estabelecidas pelos vínculos afetivos, apesar de imateriais, são tangíveis em sua dimensão e força. Pode-se estabelecer uma conexão entre os entes acima descritos, como dar-se as mãos ou o enlace de um abraço, mas tal ato conectivo é determinado pelo vínculo estabelecido.

Por sua vez, se pode estabelecer conexões sem o vínculo, ou seja, nas relações profissionais seus pares estão conectados através da empresa, mesmo sem que se conheçam pessoalmente, estão sob a égide simbólica da corporação.

Ainda baseado nos exemplos anteriores, podemos verificar que consideração às determinações oriundas de ambos os planos, vinculativos e conectivos, são considerados de modo distinto.

A recomendação de uma mãe ao filho para que leve uma agasalho, pois na percepção dela, irá esfriar, é assimilada e em geral concordada. Caso a empresa emita um comunicado informando aos seus funcionários para que tragam uma agasalho no dia seguinte pois irá esfriar, será interpretado como prerrogativa de manutenção da conexão.

Existe uma relação de poder imposta pelas conexões, antagonicamente a uma relação de afeto decorrente dos vínculos.

Conectamo-nos a internet e não nos vinculamos a ela, isso implica em seguir os ditames da plataforma para permanecer conectado, não há apreço das redes sociais pelos seus integrantes, são apenas conexões.

Nas relações de ensino nos deparamos como professores que provêm o vínculo entre ele próprio e seus alunos, como também há aqueles que apenas se mantem e estado conectivo para com estes.

O primeiro grupo normalmente expandem as relações de ensino e aprendizagem para o além sala, buscam relacionar o conteúdo com as experiências de cada aluno que de sua aula participam, criam relevâncias, aguçam a cognição, são referenciados nas descobertas e rememorados mesmo após o período de formação.

No segundo grupo, em geral, as relações são mais frias, mediadas pela relação de poder instituída, distante ou sem relação com o contexto sociocultural, possuem baixa pregnância e pouca ou nenhuma relevância, o que incita aos alunos o seguinte questionamento: onde irei utilizar isto?

O vínculo é construído na admiração, no respeito mútuo, na confiança, está no reconhecimento dos sucessos e no acalanto nos fracassos, constitui-se do olhar no mesmo nível, no aprendizado coletivo, na multiplicidade que emerge das diferenças.

Já a conexão? Ah, esta é passageira.

Anderson Luis da Silva, professor e pesquisador, mestre em comunicação e doutorando em design.

 

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