Empreendedorismo ou “o exército de um homem só”

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As mudanças tecnológicas, em nível mundial, e a crise econômica , em nível local, tem tirado muita gente da “zona de conforto” do trabalho assalariado e empurrado para a necessidade do empreendedorismo.

Mesmo que você continue empregado, cedo ou tarde se depara com o fato de que as regras para vender sua força de trabalho não são mais previsíveis; você é sua própria empresa e, além de fazer aquilo para o que se preparou, tem que pensar como RH, financeiro, comercial, incorporando um pouco das práticas de cada uma dessas áreas para continuar na ativa…Um verdadeiro “exército de um homem só”, como dizia a música dos Engenheiros do Havaí!

Quebrar paradigmas é difícil porque aprendemos que ter sucesso é ter um cartão de visitas de uma empresa de renome; benefícios trabalhistas diversos; almoçar com os colegas para discutir o que fizemos no fim de semana ou faremos nas próximas férias. Mudar a forma de trabalhar também mexe com a nossa autoestima mas pensando bem, tudo o que você sabe (ou não sabe), continua dentro de você. Só mudou a forma de entregar seu conteúdo!

O empreendedorismo é um processo solitário, a princípio; muitas horas de dedicação, estudos, planejamento e prospecção são necessárias para estruturar um projeto e depois colocá-lo para funcionar. Não estou falando só de comerciantes, mas de todos aqueles que vendem seu capital intelectual, sua mão-de-obra, seja via computador ou consertando coisas.

Mas há alguns “luxos” dessa vida que precisam ser olhados com atenção: ser dono do seu tempo e, numa “janela” entre uma atividade ou outra, poder se dar o prazer de ver uma exposição vazia durante a semana; entrar num parque para caminhar quando todo mundo está trancado num escritório (e não necessariamente produzindo).

Outro mérito do empreendedorismo que está também relacionado com a cultural digital e a geração dos millenialls (nascidos depois dos anos 80) é o trabalho por produção/resultado. Se visto como precarização, pode ser rejeitado/questionado, mas por outro lado quantas vezes não deixamos de realizar projetos e ideias no mercado por conta da “politicagem”, do favoritismo do chefe por este ou aquele colaborador? As palavras-chave aqui são liberdade + responsabilidade, isto é, a pressão por resultado existe mas o profissional mais maduro e/ou criativo tem mais espaço para mostrar seu valor, ao contrário das estruturas rígidas, onde o que contava mais era o “puxa-saquismo” ou o cargo.

Então, nossa reflexão aqui é sobre olhar o copo meio cheio ou meio vazio. Há trabalho, mas não há emprego. Há dinheiro, mas não há status. Há necessidades; como atendê-las?

Nas próximas edições vamos continuar a falar sobre a necessidade de reinvenção das profissões, do conhecimento e da nossa postura como trabalhadores. Conte a sua experiência pra gente!

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