Estamos preparados para a Economia Colaborativa?

hands_16.3.16

 

Caro leitor ou leitora,

Retomando nossa conversa,  resolvi dar uma olhada na “proposta de valor” do nosso Oportunaidade e a palavra “colaboração” me saltou aos olhos…

Particularmente ela me é muito querida, porque sem ela eu não teria superado algumas pedras no caminho nos últimos meses, mas isso é uma outra (e longa) história…

Quero falar de uma brasileira – Lorrana Scarpione¹ – que criou um aplicativo, o Bliive, onde as pessoas se cadastram para trocar seu tempo livre pelo tempo livre dos outros, isto é, eu te ensino a tocar violão e com essa ação ganho créditos em “TimeMoney” na rede, que podem ser convertidos na “compra” do tempo de um professor de francês que venha me ensinar. Ou seja, é o velho escambo, ou permuta, em que todos trocam suas habilidades pelas habilidades dos outros, voluntária e positivamente, sem o conceito de “mais valia” – “minha hora vale mais que a sua, por isso você me deve e eu não te ajudo” – trazendo na prática a aplicação da “economia criativa”.

Legal, né? Mas você abriria sua casa para um estranho? Ou ficaria só com alguém que nunca viu antes, num lugar que não conhece? Calma, não quero frustrar de cara uma ideia tão bacana.  Mas quero provocar uma reflexão aqui sobre a palavra confiança. O quanto, no nosso Brasil varonil, cheio de tensão social, estamos preparados para confiar uns nos outros? O quanto podemos praticar a colaboração com desconhecidos, sem referência, sem um link de amigos, sem uma recomendação? Ou, o quanto a simples ideia de cooperar, e não competir, está presente nas nossas vidas?

É uma  grande mudança de paradigma, né? Olhar em volta e não ver alguém que quer se aproveitar de mim, tomar o meu lugar, me ultrapassar no trânsito… Mas alguém que quer falar e ser ouvido, ou que pode nos ouvir, aconselhar, trocar de forma justa, num ganha-ganha onde todos saem beneficiados, sem hierarquia…

Às vezes, o que recebemos de uma experiência de troca não é um benefício imediato, mas algo que fará sentido depois.  Explico melhor: há alguns anos participei de uma experiência de ensino voluntário, em que lecionava inglês para adultos dos 13 aos 70 anos! Alguns prestavam atenção, outros só iam para a aula para se socializar. Me senti meio frustrada do ponto de vista didático, mas observando aquela dinâmica, pude entender que nem sempre a motivação das pessoas é a mesma na busca de um serviço; algumas estão lá para aprender, outras para serem vistas, fazerem amigos, ganharem status. Isso me ajudou na minha experiência profissional; o conteúdo de um curso, um site, até esse texto aqui, é o mesmo, mas a forma como ele será recebido e utilizado pertence a cada leitor/aluno/usuário. Me conta sua experiência/angústia/dúvida com colaboração e confiança?

¹ Fonte: https://consumosocial.catracalivre.com.br/geral/inspiradores/indicacao/brasileira-cria-rede-social-para-troca-de-talentos-entre-usuarios/

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