Existe hora certa para empreender?

Tenho me feito essa pergunta, se existe uma idade e um perfil idela para iniciar ou retomar uma ideia; inovar e investir. Não só sobre se existe uma idade média em que as pessoas começam a se aventurar em empreender, como também para todo o resto, como vida acadêmica e profissional. Mas tudo isso acredito que tem se transformado de forma exponencial com a atitude das novas gerações.

As vezes nos surpreendemos ao escutar da formação de novos milionários cada vez mais jovens, as vezes até adolescentes, que criam novos aplicativos e vendem por milhões.  Se fosse um ou dois até consideraria exceções e gênios, mas a quantidade tem aumentado bastante. Isso me faz lembrar os estadunidenses que incentivam seus filhos a venderem limonada em barraquinhas simples na rua ou em feiras, ou cortarem a grama do vizinho para ganharem seus primeiros dólares. Isso é diferente do que temos em tantos lugares onde, como exemplo, crianças vendem balas no farol para a sobrevivência. Lá é para valorização do trabalho, do dinheiro e gestão de renda. Mas isso até já mudou de patamar. Em um programa de TV, onde pessoas apresentam ideias, produtos ou serviços e vão atrás de investidores, assisti um episódio onde um garoto – que deveria ter 12 anos – falava com eloquência sobre ter uma participação na empresa que estava criando de barracas de limonada. Ele conseguia um resultado bem maior do que seus amigos, pois já tinha aberto outras 3 unidades na mesma cidade e conseguia impor um padrão; tinha agora um negócio fixo e não esporádico e – o mais incrível: já pensava em expandir o negócio para outras cidades com um programa de franquias!

Até pouco tempo se considerava  tanto no Brasil quanto em boa parte do mundo, que um jovem de 17 anos decidia cedo demais a carreira profissional para ingressar em uma universidade; mas as cobranças, a concorrência dos outros estudantes e a necessidade os obrigam a isso sem margem para errar.

Tomando um outro exemplo: um bom mecânico de automóveis, que possui uma oficina bem montada – responsável pelo sustento de sua família – possuía um filho que era muito observador. Aos poucos, esse garoto cresceu e percebeu que o pai possuía muitas peças paradas em estoque. Aos 17 anos, decidiu anunciar em um site de venda e compra de objetos usados. Em pouco tempo conseguiu limpar o estoque de peças paradas do pai. Com a renda começou a comprar peças novas, fez pesquisa de fornecedores e depois de pouco tempo já tinha uma loja online dentro deste portal. O diferencial é que ele não só vendia equipamentos como auto-peças e aparelhos de som, mas também dava suporte técnico e consultoria de como fazer, instalar, manutenções, entre outros detalhes. Hoje ele é o maior faturamento individual deste portal, tem linhas exclusivas de produtos negociados com fornecedores e fechou 2017 com faturamento de 7 milhões de reais. Tudo isso em pouco mais de 5 anos.

No outro extremo, temos casos de empreendedores famosos que começaram novos negócios após os 40 anos, como por exemplo:

1- O co-fundador da GAP que, aos 40 anos, junto com a esposa, abriu sua primeira loja em São Francisco – EUA.

2- O fundador do Walmart, que abriu sua primeira loja em 1962, quando já tinha 44 anos.

3- Ray Kroc, fundador do McDonald’s, que inaugurou a empresa aos 52 anos.

Outros tiveram muita persistência como o caso do Coronel Sanders, do estado de Kentucky (EUA), que aos 62 anos e logo depois do período que ficou conhecido como “A Grande Depressão”, saiu pelas estradas oferecendo uma receita de frango frito. Dizem que ele levou exatos 1.009 “nãos” ao produto, que deu origem ao KFC – uma das maiores redes de Fast Food do mundo.

Tendo esses rápidos exemplos, será que realmente existe a hora certa para empreender ? Algum momento específico na vida, quando criamos coragem, decidimos dar uma guinada, ter uma ideia? Temos que esperar pelo momento que normalmente aparece quando já estamos cansados do que fazemos e precisamos buscar forças para uma nova empreitada?

Com certeza não. Eu já cai, retrocedi, ergui a cabeça, me reinventei e reiniciei a carreira várias vezes. Espero continuar com esse aprendizado.

O importante é não deixar de ter resistência, capacidade, ideias e foco.

Boa sorte à todos que estão “gestando” seus projetos; acredito que muitos ainda irão nascer!

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