Movimento Maker – Faça você mesmo ou trabalhe para consumir

aprender fazendo

 

“É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer”.

Aristóteles

 

O termo originário no movimento “Do-it-Yourself – DIY”, ou em português “Faça você mesmo”, ganha força e inserção nos ambientes escolares brasileiros, mesmo que ainda de modo ainda tímido e pontual.

Oficinas de robótica, kits tecnológicos voltados ao desenvolvimento e construção de sistemas autônomos, cada vez mais são apresentados pelos catálogos escolares como diferenciais formativos.

A prática, apesar de estar nas manchetes educacionais contemporâneas, não é nova. A ideia de aprender fazendo estava presente nas guildas medievais, na transferência do oficio entre pais e filhos, nas academias da antiguidade.

Durante a maior parte da história da humanidade o ser humano aprendeu fazendo, imitando, treinando e desenvolvendo seu conhecimento e domínio técnico.

A aprendizagem em massa e amparada pela simulação é bem mais recente, tendo origem aproximadamente no Séc. XVII, e ganhando o mundo a partir de então.

A retomada proposta pelo movimento maker vem em boa hora; a sociedade necessita reinventar seu sistema de ensino e aproximá-lo do contexto histórico, social, político e econômico no qual estamos inseridos.

Aprendizagem pela experiência, aprendizagem por projetos, a prática como ferramenta de ensino e movimento maker são em essência equivalentes de uma mesma ideia: a ação confere significado, amplifica e contextualiza o conhecimento e gera autonomia.

A essência de tal premissa é pertinente e devemos todos incentivá-la; no entanto, precisamos ficar atentos às armadilhas mercadológicas que tais ideais fomentam.

O movimento maker deve ser ampliado a todas as dimensões da vida; condená-lo e restringi-lo aos porões da tecnologia é mitigar seus reais propósitos e assim, ao invés de autonomia, gera-se maior dependência dos insumos de mercado.

O mundo carece, mais que um movimento pontual e isolado, de uma cultura maker. Um novo modo de agir e pensar, uma forma de diminuir as fronteiras socioculturais e de permitir que o indivíduo autônomo possa contribuir com o senso de comunidade que tanto nos faz falta.

Este é um conteúdo autoral licenciado pela licença Creative Commons

Atribuição-Não Comercial CC BY-NC
Esta licença permite que outros remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho para fins não comerciais, e embora os novos trabalhos tenham de lhe atribuir o devido crédito e não possam ser usados para fins comerciais, os usuários não têm de licenciar esses trabalhos derivados sob os mesmos termos.

Deixar resposta

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

3927