O excesso de informações

O excesso de informações

A Web permitiu acesso livre as informações, pesquisamos, avaliamos, comparamos e decidimos, muitas vezes com base nos conteúdos que encontramos durante as nossas buscas no Google e nos comentários nas Redes Sociais. Nunca tivemos disponível tantas informações sobre o mundo, propagadas pela multimídia e com participação massiva das pessoas em um processo produtivo. Nesse a internet faz com que mais e mais pessoas descubram e se beneficiem não apenas com a oportunidade de participar, em contribuir com a sua própria informação, mas também com o acesso ao conhecimento de muitos outros.

Contudo, há um outro lado da moeda, o excesso de informações. Usaremos o jovem Demétrio como um exemplo. Bom cidadão, inteligente e dedicado em suas tarefas profissionais. Na empresa onde trabalha será responsável na gestão de um projeto de comunicação digital. É sua primeira vez à frente de um projeto como esse!

Demétrio se apresenta ao usuário dizendo "Eu sou o Demétrio"Demétrio fala que vai gerenciar um projeto de comunicação digital e precisa saber detalhadamente.Demétrio pensa em pesquisar no Google
Demétrio em frente a um computador pesquisando na webDemétrio sobre pelo bombardeio de informações e diz que vai perder muito tempo.Demétrio reflete a mensagem “Se quiser controla a mente dos homens, negue toda a informação a eles ou então inunde-os de informação – o resultado é o mesmo”. Adair lara, san francisco chronicle (25/1/2000) (Apud WURMAN, Richard Saul, 2005, p.93)

Na preocupação de filtrar todas as informações que encontramos na Web, perdemos mais tempo para selecionar o que é útil do que em pesquisar mais. Segundo o autor Richard S. Wurman (2005, p.10),

Encontrar, filtrar, classificar, organizar e marcar a informação é mais importante do que criá-la […]

[…]  A forma de organizar e apresentar a informação é tão importante quanto o conteúdo.

À medida em que fica mais difícil e nos exige mais tempo para  distinguirmos as informações verdadeiras das falsas, as atuais das obsoletas, as completas das superficiais, as relevantes das “sem importância”, mais distantes da compreensão ficamos. De fato a informação é aquilo que leva a compreensão; esta por sua vez, é responsável pela redução da incerteza.

Contudo, a quantidade de informações disponível e a forma como ela é transmitida, na maioria das vezes, pode se tornar inútil para nós. Por isso, para usá-la de forma produtiva, com alguma finalidade ou objetivo definido, o teórico da informação Paul Kaufman (apud WURMAN, Richard Saul, 2005, p. 20) propõe que as pessoas têm de saber o que estão fazendo e por quê. E novamente citando as palavras do autor Richard S. Wurman (2005, p.18),

Cada um precisa saber medir por si o que é informação. O que constitui informação para uma pessoa pode não passar de dados vazios para outra. Se não significa nada para você, não é informação.

Durante a minha jornada como professor, venho descobrindo e aperfeiçoando maneiras de apresentar e explicar os conteúdos das minhas aulas. Não é uma tarefa fácil, e acredito que muitos professores concordarão comigo, exige muito esforço, disciplina, pesquisas, análises e boas doses de paciência porque conhecimento não se adquire de forma rápida e simples. É necessário tempo e muita dedicação para enfrentar o mar de dados da Web, milhares de livros publicados diariamente, todas as informações que nos atingem pela multimídia tecnológica. E a partir de duas questões: “o que saber” e “por que saber”, deve-se encontrar, filtrar, organizar e apresentar.

Bibliografia: Wurman, Richard Saul. A ansiedade da informação 2: um guia para quem comunica e dá instruções. São Paulo: Editora de Cultura, 2005.

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