ONDE ESTÁ O RECURSO HUMANO?

Uma coisa que tem me chamado a atenção ultimamente é a forma com que empresas estão procurando profissionais. Dizem estar em busca de talentos que combinem com valores da empresa. Mas que valores são esses que normalmente não condizem com respeito ao próximo? Ao fazerem o primeiro contato com candidatos, normalmente via telefone, fazem um turbilhão de perguntas, e depois somem do mapa. Para uma empresa assim, não enxergo nenhum valor que combine com os meus e que busco em ambiente de trabalho. Desistiria da seleção.

Normalmente a pessoa que faz a triagem é despreparada, seja interna – como uma estagiária de RH – ou um terceiro de qualquer agência.  Se for da onda da moda como uma etiqueta de qualidade então  – HeadHunter -, piora.  Se acham superiores, tendo em mãos seu futuro, são seus “salvadores” . De certa forma até podem mudar o futuro de alguém, mas nunca devem se esquecer que lidam com pessoas e não só números. Valores primários como respeito, integridade e humildade, devem prevalecer no jogo do mercado.

Para cargos mais sêniores como gerências, o recrutador nem conhece detalhes e principais responsabilidades da posição para qual fazem a seleção. Usam perguntas chavões de questionários genéricos como um telemarketing.

E um dia, as coisas giram e posições podem inverter. Já vi casos em que alguém manda o currículo para um profissional que no passado foi um candidato que passou por suas mãos, porém tinha tratado com desdém. Ou outro mais complicado para exemplificar, um profissional que no passado foi candidato, depois virou diretor em importante empresa que contratou serviços de seleção, reencontrando um headhunter que já o tinha prospectado, porém sem muito trato nos retornos, tendo agora que atendê-lo como cliente.

Além destas questões, costumo dizer que para procurar emprego a pessoa precisa ter dinheiro para investir na recolocação. Para manter a aparência condizente ao cargo que busca,  plano de internet móvel, em casa ou lanhouse, transporte, alimentação, network, e outros pontos. Tudo consome tempo, dedicação, concentração e dinheiro. Se a pessoa já esta no limite da reserva, fica mais pressionado ainda e irá se sentir menos preparada para uma seleção. Se recolocar acaba virando um desafio e tanto, uma batalha.

Com crise, empresas abusam de candidatos, oferecendo pacotes de pagamento menores, tendo poucas vagas para tanta gente procurando e necessitando trabalhar.  E ao conseguirem a tão esperada oportunidade, estes novos profissionais se deparam com equipes mais enxutas, com mais responsabilidades e ganhando menos.

Mas não esqueçam de enxergar as pessoas. Desde o primeiro contato como candidato até o último dia como colaborador, seja qual for o tamanho do seu empreendimento/negócio, para qual cargo que fará a contratação, todos possuem valores, talentos e merecem respeito. Lembre-se que aquela pessoa que você convidar para fazer parte de seu negócio pode contribuir para sua empresa prosperar. Ou derrubar, caso você contrate errado ou não saiba o que quer como recrutador. Pense nos detalhes, se prepare, não é só o candidato que precisa estar afiado e exponha sempre o cenário real alinhando expectativas, sonhos e responsabilidades de entregas.

Por mais que o futuro se mostre como uma MATRIX,  ainda acredito que o recurso humano faz a diferença.

Imagem: Pexels – Tim Gouw

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