Opa! Octa core, lousa eletrônica, Mac’s, muito bytes. Eita escola boa! #sqn

escola boa

Falar em inovação escolar invariavelmente traz consigo a ideia de que é necessário investir massivamente em recursos tecnológicos, tais quais, computadores, tablets, lousas eletrônicas, robótica, internet, e demais aparatos cibernéticos de interação, e sobretudo de intermediação das relações humanas.

No entanto, inovar na educação pode requerer um pouco mais de esforço e boa vontade por parte de seus gestores e professores, pois inovar significa renovação, ou a introdução de novidades que permitam fazer algo de modo diferenciado a como era feito anteriormente.

Alguns dirão: Pois então, buscar a informação na internet, uma vídeo aula, o desenvolvimento de algoritmos que operacionalizem o funcionamento de um pequeno robô, são formas de se fazer diferente aquilo que se convencionou a chamar de educação.

A escola inovadora não é aquela investe em tecnologia e por vezes, pode ser aquela que se despe dela.

De certo tais práticas carregam em si potencialidades, mas vale evidenciar que não é a ferramenta quem deve protagonizar, ou alguém já viu uma caneta escrever por conta própria?

As ferramentas, e neste grupo insere-se todo e qualquer instrumento, maquinário, aparelho ou artefato que se preste ao exercício técnico de alguém, devem ser introduzidas enquanto possibilidades, isto é, a alfabetização que até então utilizava de cartilhas como meio condutor da aprendizagem não deve ser substituída por interfaces eletrônicas. E por que não?

A resposta pode ser simples, para evitar que a caneta escreva pelo escritor.

Aprender requer experimentação; educar implica em propiciar e conduzir estas experiências, e por fim, treinar é a incitação ao vício, ou seja, a alteração física e funcional de alguém pela repetição.

As escolas consideradas as mais inovadoras no mundo contemporâneo são aquelas que alteraram o modus operandi do conceito secular de se educar.

Derrubar paredes, dissolver disciplinas, prover experiência, incitar a inter-relação humana, evidenciar a dependência do homem para com o meio ambiente, incentivar a criatividade, contextualizar. Estas e outras práticas são empregadas em inúmeras escolas espalhas por todo o mundo, nestes espaços não homogeneizantes tudo é plural, vale o adendo, que é com as diferenças que se aprende.

Costumo dizer que o trabalho bem feito no campo da educação não se predispõe a formar, mas a inconformar-se, ou seja, felizes seriam os alunos que ao fim do curso e de canudo em punho pudessem gritar a todos: Enfim, inconformado!

Muitas escolas, sobretudo nas últimas três décadas, despenderam esforços na ânsia de se informatizarem, alardeavam com orgulho a chegada de novos equipamentos informáticos como se tudo isso por si só fosse sinônimo de maior qualidade.

Qual a diferença no valor funcional aos propósitos de geração de autonomia aos educandos entre o computador e a enxada?

Ambos são ferramentas que se prestam a determinado fim; a enxada, se bem empregada, propicia o acesso a autoprodução de parte dos requisitos de uma boa alimentação; o computador multifuncional, se presta a inúmeras outras atividades mas não serve para cavar a terra.

E se refletirmos bem, talvez cheguemos a conclusão que saber operar uma enxada pode ser mais determinante para a vida do que operar um computador.

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