Reações à crise econômica

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Não estou aqui para falar da crise econômica mas dos seus efeitos sobre a criatividade e a adaptabilidade dos brasileiros.

Em entrevista recente para o portal Gazeta on Line¹, o publicitário e pesquisador do Instituto DataPopular,  Renato Meirelles,  falou sobre a capacidade da classe C – aquela que estava ascendendo e tendo acesso a mais bens de consumo no auge do governo Lula/Dilma – se adaptar à inflação, desemprego e perda de renda.

Segundo Meirelles: “A inflação está tirando o rendimento dos mais pobres, e o salário médio das pessoas parou de crescer. De fato, a crise existe. Mas, em vez de ficar parada, a classe C está reagindo e buscando alternativas para não perder sua renda. Essa fatia da população tem vontade de continuar conquistando. É por isso que, em vez de chorar, ela saiu vendendo lenço”.

À nossa situação doméstica devem ser somados os efeitos da precarização do emprego – a tecnologia tomando conta e extinguindo  postos/tipos de trabalho  – com profundo impacto sobre a sociedade.

Enquanto a “geração y” – nascidos a partir de 1990 – ingressou no mercado de trabalho buscando mais realização e menos segurança, a geração anterior – onde me incluo – vive o choque da transição entre a desejada estabilidade profissional, a carreira, e um contexto fluido, de poucos vínculos, em que as habilidades tem que ser reafirmadas todos os dias ou a cada novo contrato de trabalho. Ufa, matar vários leões por dia cansa. Mas é inevitável.

O mérito da crise é nos obrigar a aumentar nossa flexibilidade, nossa resiliência, nossa capacidade de reinvenção; o problema a médio e longo prazo é a desvalorização da mão de obra, a redução do valor de hora de trabalho, e consequentemente da qualidade de vida, porque são necessárias muito mais horas de atividade para compor a renda que antes se ganhava em 8, 10 horas. O que vai prevalecer? O lado “bom” ou “mau” da crise?

Gostaria de acreditar nas palavras esperançosas de Frei Betto, num ensaio datado de 14 de novembro de 2008 – “Meu nome é crise” – mas que continua atual e circula pela internet: “Acredito que este abalo na especulação financeira trará novos paradigmas à humanidade: menos consumismo e mais modéstia no padrão de vida; menos competição e mais solidariedade entre pessoas e empreendimentos; menos obsessão por dinheiro e mais por qualidade de vida. Todas as vezes que irrompo na história ou na vida das pessoas, trago um recado: é hora de começar de novo. Quem puder entender, entenda”.

O que você já fez ou está fazendo para “contornar” a crise? Conte pra gente!

¹http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2015/05/noticias/dinheiro/3896758-para-subir-renda-42-da-classe-c-faz-bico.html

 

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