Recessão, desemprego e a verdade sobre a reforma previdenciária

A reforma da Previdência tornou-se um dos assuntos mais discutidos pela mídia nos últimos dias. “Necessária”, “urgente”, “inevitável” são alguns dos adjetivos usados por jornalistas e especialistas, diante do fato de que a população está envelhecendo e a base da pirâmide social – os trabalhadores em idade produtiva que contribuem ativamente para o INSS – estão diminuindo.

Não se trata apenas de um problema demográfico; em época de economia crescente, é fácil conseguir quem contribua para o INSS, pela CLT ou recolhendo a contribuição como autônomo. Mas, quando a economia diminui seu ritmo e milhares de trabalhadores contribuintes perdem o emprego, a arrecadação do INSS logicamente diminui!

Portanto, é demagogia dos governantes e políticos, não abordar objetivamente as causas, a realidade e as possibilidades para resolver o problema!

Trata-se também de desinformação, porque os trabalhadores que hoje reclamam, contribuíram…, mas esta contribuição foi para os que já estavam aposentados! No INSS, a aposentadoria funciona como uma “corrente”. Você contribui para o INSS pagar aos aposentados e, quando você se aposenta, é preciso que trabalhadores contribuam para a sua aposentadoria!

Além disso, milhares de postos de serviço, de trabalhadores que contribuiriam para o INSS, são eliminados pela tecnologia, que aumenta o lucro das empresas, mas não contribui para o INSS!

Calculemos quantas telefonistas, quantos estivadores, quantos ascensoristas, quantos lavradores foram substituídos por máquinas, que não contribuem para os aposentados! O avanço tecnológico é inegável, mas enquanto as empresas diminuem custos, a renda do trabalhador – quando a tem – vai sendo achatada.

Nas fábricas de automóveis, robôs roubam oportunidades de emprego; nos bancos, quantos bancários foram substituídos por “Caixas Eletrônicos”?!
Assim, a base da pirâmide está e permanecerá diminuindo, faltando dinheiro para o INSS pagar aos atuais (e futuros) aposentados!

Em tempos de recessão nem a Previdência Privada é solução, pois apenas “terceiriza” para o trabalhador o ônus de contribuir com sua própria aposentadoria.

Um problema que afeta milhões de famílias e que precisa da ação conjunta do governo, empregadores e trabalhadores para solução.

 

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