Trabalho, este notório companheiro

A sociedade é um campo pluralístico de relações coberto por um mesmo manto de sonhos e acepções.

O homem anseia o viver, algumas tensões o compelem a sobreviver. Dentre as inerências dessas determinações, insurge o trabalho. Vale a ressalva que este se difere do ofício; enquanto o primeiro é uma obrigatoriedade, o segundo compreende uma capacidade.

Alguns indivíduos conseguem convergir o ofício ao trabalho, outros tornam o trabalho o seu ofício, outros simplesmente trabalham.

O trabalho é o pleonasmo da vida. Quiçá fôssemos vagabundos, estes que libertos do trabalho se dispõem a vagar pelo mundo… no entanto, contemporâneamente, isto é utopia.

Ser padeiro, engenheiro, coletor ou marceneiro são, em suma, variações de uma mesma determinação onde o trabalhar enseja e faculta dentro de um espectro ordinário a obtenção de recursos para a manutenção dos imperativos da vida.

Ditos populares como “o trabalho enobrece o homem” e “quem cedo madruga Deus ajuda” mancheteiam a determinada e imperativa convergência da existência para o trabalho e, complementarmente, dele como meio para o bom viver.

Há uma progressão desejada em cada profissão, ou seja, começa-se a trabalhar em determinado local e função com o intuito de que mais à frente sejam galgadas posições superiores, e que desta forma você possa diante das inerências de tal avanço, viver melhor.

Alguns trabalhadores conseguem percorrer esta linha ascendente e se vêem à frente com exemplo promissor; outros, em função da precariedade de sua ocupação, sequer permitem-se esta consideração. Padecem do maior mal do trabalho, o adiamento da vida.

A etimologia das palavras possibilita-nos enxergar suas almas, ou seja: aquilo que se oculta aos olhos, mas as conferem significação. Trabalho deriva do latim tripalium, o tripálio “tri” (três) e “palus” (pau). Era um instrumento de tortura, função conferida e uma ferramenta de trituração de grãos, função projetiva.

Já o vagabundo, etimologicamente, deriva do latim vagabundus, “pessoa que caminha sem destino”, de vagare, “errar, andar ao léu”, acrescido do sufixo – bundus, “propenso a, cheio de”, contemporaneamente nomeamos por turista.

Trabalhe a vida toda, sobreviva e, se der sorte terá um mês ao ano dedicado à vagabundagem. Se não der não esquente, afinal quando se der conta sua vida já terá passado, resta-lhe o olhar para trás, o sorrir ou o fatídico retesar.

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